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05/09/2016


        Hora de botar a boca no trombone

Hora de botar a boca no trombone

Prestes a entrar em seu décimo ano de estrada, a Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast) prepara-se para transitar de roupa nova. Até hoje, a entidade concentrou esforços em mapear o varejo de resinas e em ganhar mais corpo arrebanhando para o seu seio agentes da comercialização de filmes, por ora de polipropileno e PET biorientados. Essa estratégia segue em frente em 2017, mas mesclada com um discurso que extrapola a porteira do negócio, enveredando pelo emaranhado tributário e a conscientização ambiental, adianta nesta entrevista Laércio Gonçalves, presidente da entidade e da distribuidora Activas.

PR – Em seu plano de metas para 2017, a Adirplast promete lutar contra a guerra fiscal. O que pretende fazer na prática que uma multidão de associações que pensam igual ainda não fez? 
Gonçalves – A Adirplast pretende engajar-se, junto com outras entidades do setor industrial, no pleito da equalização do ICMs cobrado sobre as resinas comercializadas entre os Estados, um posicionamento de quem sofre e paga os prejuízos da guerra fiscal interestadual. Assim, devemos nos unir à Confederação Nacional das Indústrias (CNI), as federações das indústrias de São Paulo e Rio Grande do Sul (Fiesp e Fiergs), além das entidades da nossa cadeia, como a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

PR – Ainda na esfera da guerra fiscal, uma fração expressiva do setor de plástico critica a concorrência desigual com empresas situadas em áreas de incentivos/benefícios fiscais (Santa Catarina, Manaus. Três Rios etc). Qual a posição da Adirplast? 
Gonçalves – Somos a favor da livre iniciativa e da competição justa entre as empresas. Portanto, também somos muito críticos a todo e qualquer incentivo ou benefício fiscal envolvido na operação, seja regional ou setorial, que privilegie poucos em detrimento dos demais.

PR – As vendas da distribuição são ditadas por poliolefinas e o varejo de poliestireno (PS) é irrelevante. Na Adirplast, dois filiados são agentes de PS e importadores de poliolefinas e um deles somente importa poliolefinas. Como pode haver coerência e isenção na entidade para se posicionar em defesa da distribuição nacional de poliolefinas tendo associados que competem com esses agentes locais trazendo essas resinas do exterior?
Gonçalves – A coerência e a isenção buscadas pela Adirplast são baseadas na livre iniciativa, sem favorecimentos, incentivos ou benefícios. A melhor regra é a que vale para todos os players e favorece uma competição justa, ressaltando os diferenciais competitivos individuais. No mais, acreditamos nas normas de mercado globais e no capitalismo puro como doutrina política. Neste sentido, somos contra qualquer intervenção do Estado nas regras comerciais.

PR – Porque a Adirplast não busca trazer a quantiQ, distribuidora de termoplásticos (copolímero de etileno acetato vinila/EVA) e especialidades da Braskem, para engrossar seu magro quadro de associados? Afinal, todos os demais distribuidores dela estão na Adirplast.
Gonçalves – A quantiQ distribui produtos químicos e não resinas plásticas. Portanto, não se enquadra no estatuto da Adirplast como potencial associada. Temos 19 filiados (15 no site) e, de forma alguma, trata-se de um quadro modesto. Essas empresas representam praticamente a metade do varejo nacional de resinas plásticas, atendendo mais de 7.000 do total aproximado de 11.500 transformadores aferido pela Abiplast. Assim, embora o número de associados pareça pequeno, acredite, de fato não é.

Um ponto fora da curva?

Da mesma forma que os produtores de resinas plásticas estão no bojo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), nada mais lógico que o segmento de comercialização desses produtos petroquímicos esteja no radar e na avantajada lista de membros da Associação Brasileira dos Distribuidores Químicos e Petroquímicos (Associquim). Em seus relatórios anuais, por sinal, os indicadores das vendas específicas de termoplásticos são menção obrigatória. Com base nesse cenário, a pergunta é se a Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast) seria um ponto fora da curva.

Pela linha de raciocínio do presidente Laércio Gonçalves, a Adirplast tem sua razão de ser no fato de que o quadro de apenas 15 filiados citados em seu portal teria uma envergadura muito maior pois atende a milhares de transformadores no país. O argumento esbarra no fato de que vender a um cliente não significa que o distribuidor o representa no plano institucional. Fosse assim, por exemplo, as poucas petroquímicas do Brasil, que cobrem um mercado muito mais vasto que o de seus distribuidores, teriam justificativa para formar representação à parte, fora do guarda chuva da Abiquim. Na mesma trilha de argumentação, associações de redutos da transformação como embalagens flexíveis e ráfia, ambos de número de produtores e clientes bem acima da Adirplast, não teriam motivo para aceitar sua incorporação à Abiplast. Fizeram isso para elevar a massa crítica e voz ativa da entidade que representa o setor. “Queremos agregar na Adirplast outros segmentos de varejo de plásticos, como o de produtos finais”, esclarece Gonçalves, curvando-se ao preceito no ramo associativo de que tamanho é documento. “Para esse trabalho, temos como referência a International Association of Plastics Distribution, maior organização de varejo de plásticos mundial”.

A intenção de seguir em discreto voo solo, dado o seu mirrado número de filiados, ou de fortalecer a envergadura bem maior da entidade que já representa seu setor cabe exclusivamente à Adirplast, comenta com diplomacia Rubem Medrano, presidente da Associquim e do Sindicato do Comércio Atacadista Importador e Exportador de Produtos Químicos do Estado de São Paulo (Sincoquim). “A vontade de uma entidade do setor filiar-se à Associquim depende da vontade de seus membros, resultante de deliberação nas assembleias”, pondera o dirigente. “A união de esforços é inerente ao associativismo e a Associquim está sempre aberta à realização de parcerias, mas isso depende dos interesses e vontade das partes envolvidas. A associação é espontânea, nasce direto dos fatos e o futuro das entidades depende do seu empenho para ganhar homogeneidade”.

PR – O plano de metas para 2017 fala em combater a ilegalidade no setor. Quais ações a Adirplast pretende implantar para combater revenda informal?
Gonçalves – Não temos essa atividade diretamente relacionada em nossos planos para 2017. Nosso foco é colaborar na melhoria da gestão financeira dos transformadores, visando, assim, a redução da cultura da inadimplência. Neste campo, pretendemos incentivar, através do intenso relacionamento com os mais de 7.000 clientes, o ingresso deles nos cursos dessa área oferecidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Além disso, devemos levar informações aos transformadores sobre as consequências da cultura da inadimplência para as organizações.

PR – Entre as metas para o próximo ano, constam ações de engajamento da Adirplast na sustentabilidade. Quais as iniciativas em vista?
Gonçalves – Em relação à sustentabilidade, está previsto o engajamento em dois projetos em 2017. Um deles, já em prática via Plastivida, trata-se de um programa de resíduo zero e de conscientização sobre a importância da reciclagem de plástico pelos distribuidores e seus clientes. O outro trata da implantação de um sistema de recepção e coleta de lixo plástico pós-consumo em todos os ambientes de trabalho dos membros da Adirplast. Queremos, assim, iniciar dentro de casa o trabalho de conscientização.

 

http://plasticosemrevista.com.br/hora-de-botar-a-boca-no-trombone/

Matéria: Hora de Botar a boca no trombone, Seção Sensor - Plásticos em Revista, Ed.629, setembro/2016. Páginas: 20 e 21

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